Autora Luciana Abreu
Deixe me ver... As primeiras lembranças relativas à leitura... Muito fácil! Venho de uma família recheada de professores! Depois das fraldas, era hora de ouvir as estórias e folhear, nos livrinhos de pano ou de plástico (pra hora do banho!), as figuras mágicas que tanto encantavam. Pronto, o bicho da leitura já havia mordido. Agora só restava saber como fazer para que, ao abrir os livros, aquelas figuras estranhas (letras) revelassem todas aquelas estórias maravilhosas.
Confesso que sentia muita inveja do meu irmão mais velho... Ele já sabia ler SOZINHO aquele livro sobre o “Caso da Borboleta Atíria”, e eu tinha que pedir para a minha mãe ler... Na verdade, eu é que queria poder viajar com a Atíria em sua aventura pela floresta... Autonomia... Ler quando e onde quisesse... Independência!
Lendo e ouvindo os relatos/depoimentos das ilustres personalidades, as que mais me chamaram a atenção foram os depoimentos da Nina Horta e do Nilson José Machado, mais importante do que ler e viajar nos contos, romances, ficção, entre outros, é aproveitar o que se aprendeu, conheceu através dos livros e vivenciar no cotidiano todo esse esplendor que é a leitura. Para me expressar melhor, cito José Saramago, que escreveu, perfeitamente, o significado da importância da leitura na minha vida: “... há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pegados à página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa. A não ser que esses tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ela, a sua própria margem, e que seja sua, a margem a que terá de chegar.”